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My Books News

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Bibliotecas: Palácios para as pessoas

21.03.19

Eric Klinenberg é o autor de um livro chamado Palácios para as pessoas: como a infra-estrutura social pode ajudar a combater a desigualdade, a polarização e o declínio da vida cívica.

A frase “palácios para as pessoas" vem de Andrew Carnegie, que ajudou a financiar mais de 2500 bibliotecas. 

 

O seu livro foi o tema de um episódio do podcast 99% Invisible, que recomendo vivamente, se conseguem compreender o inglês.

 

Na verdade, este episódio deveria ser de audição obrigatória para qualquer pessoa que se atrevesse almejar ascender a um cargo governativo.

 

Klinenberg, no âmbito de um projeto de investigação sobre uma onda de calor, que matou mais de 700 pessoas em Chicago, concluiu que apesar de os bairros pobres ou segregados terem as taxas de mortalidade mais altas, existiam bairros vizinhos, em que um deles "tinha uma taxa de mortalidade astronomicamente alta e o outro seria um dos lugares mais seguros de Chicago".

 

Klinenberg começou a passar o tempo nos bairros, e o que ele observou foi que os lugares que tinham baixas taxas de mortalidade tinham uma infra-estrutura social robusta. Eles tinham passeios e ruas que eram bem cuidados. Eles tinham bibliotecas de bairros e organizações comunitárias, mercearias, lojas e cafés que atraíam as pessoas para fora de casa e para a vida pública. O que isso significava era que, diariamente, as pessoas se conheciam muito bem e usavam a infraestrutura social para se socializar. Quando essa onda de calor aconteceu em Chicago, os moradores do bairro sabiam quem provavelmente estava doente e quem deveria estar fora, mas não estava. Isso significava que eles sabiam de quem porta bater se precisassem de ajuda.

 

As bibliotecas surgem assim como espaços que poderão constituir uma infra-estrutura de resiliência social, não só no plano da literacia, mas também da inclusão.

Os regulamentos das bibliotecas

07.03.19

Eu sou uma frequentadora de bibliotecas municipais. Neste momento, quase exclusivamente da que está a 5 minutos do meu local de trabalho e que visito cerca de 3 dias por semana, em passeio, porque é o que booknerds fazem.

 

Mas não compreendo porque, reiterando-se que as bibliotecas são pouco frequentadas, se coloquem obstáculos a uma maior utilização.

 

Por exemplo, porque se limita a requisição de revistas e DVD a 2 dias?

O mínimo não deveria ser sempre uma semana, para permitir que pessoas que trabalham, possam ir ao sábado, quando isso é possível?

As requisições são assim tantas, que justifique a limitação? Não acredito.

 

E porque se limita a requisição a 5 livros?

Considerando que a renovação pode atingir 30 dias, não poderiam aumentar o limite, para compensar uma ida mensal? A generalidade das pessoas não tem um horário compatível com o das bibliotecas.

Mais, há livros que têm 1000 páginas e nem todas/os leem rapidamente.

 

 

Porque não se faz uma maior divulgação dos serviços das bibliotecas?

Ficariam surpreendidas/os com a quantidade de pessoas que desconhece o que as bibliotecas têm disponível.

Muitas pessoas (eu inclusive, durante muitos anos) pensam que só podem ler livros na própria biblioteca, desconhecendo o empréstimo domiciliário.

Muitas mais desconhecerão que podem requisitar filmes e revistas.

Não me refiro a uma divulgação abstrata, mas a uma informação concreta do que as bibliotecas podem oferecer.

 

Enfim, dúvidas de uma leitora.

Eu adoro bibliotecas públicas!

28.12.18

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O livro de Grazia Deledda - Caniços ao Vento - teve de sair do depósito, um indicador de que não deverá ser requisitado há muito, imagino eu. Algo me diz que também será do depósito que sairão os livros de Sigrid Undset e outras Nobel femininas.

Não sei se os últimos dias do ano me trarão mais Alegria ou Águas Negras, mas com este lote, pretendo sair bem de 2018 e entrar em 2019 ainda melhor... literariamente falando, claro.

A importância das bibliotecas escolares

04.11.18

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Photo by Ali Yahya on Unsplash

 

 

As bibliotecas escolares são, para mim, um programa fundamental numa democracia que se quer inclusiva para todos. Onde, senão numa biblioteca escolar, pode a generalidade das criança mais desfavorecidas aceder a livros?

 

Porém, a generalização das bibliotecas escolares parece ser mais uma ficção destinada a estatísticas num relatório, que para o real uso pelas crianças.

 

Ofereço dois exemplos reais, que são gritantes nas evidências de como as bibliotecas escolares são um recurso simultaneamente esquecido e (mal) instrumentalizado pelas escolas:

 

1.

A biblioteca da escola primária consiste num armário fechado à chave. Este, só é aberto quando a professora responsável pelas bibliotecas escolares (do agrupamento), visita a escola primária e permite o acesso aos livros.

Note-se que eu não tenho problema algum com o armário. Eu já utilizei uma biblioteca, numa aula de português, que consistia num caixote onde tínhamos os livros que podíamos requisitar.

O que questiono é o sistema que torna necessário que uma professora, externa à escola, tenha de se deslocar para abrir um armário e permitir que os alunos leiam os livros.

 

2.

A biblioteca da escola profissional está quase sempre fechada. O seu uso está praticamente reduzido a reuniões entre professores.

Mas quando fazem os seus relatórios, podem ter a certeza de que é um recurso que alegam ter para os alunos. E claro, na página institucional dessa escola há uma fotografia muito bonita da biblioteca.

 

Para mim, as bibliotecas escolares são essenciais na formação de leitores. Não existe nada mais contagiante do que o amor por um livro, a "publicidade" boca-a-boca, a leitura por prazer. Por isso, ver estes recursos não serem aproveitados na sua potencialidade, parece-me verdadeiramente criminoso.